Com a Reforma Tributária, as empresas precisarão se acostumar com uma nova forma de pagamento dos impostos: o Split Payment.
- A mudança afeta principalmente a maneira como o IBS e a CBS serão recolhidos.
Hoje, normalmente funciona assim: sua empresa vende um produto por R$ 1.000,00 recebe o pagamento e, posteriormente, paga os impostos daquela venda.
Com o Split Payment, a lógica muda.
Nas operações em que o sistema for aplicado, uma parte do pagamento será direcionada ao pagamento dos impostos antes que o dinheiro fique disponível para a empresa.
Isso é especialmente importante para negócios que vendem por:
- Cartão de crédito e débito;
- Pix;
- Lojas virtuais;
- Marketplaces.
Mas isso significa que toda venda sofrerá um desconto automático? O que acontecerá com quem vende pela Shopee, Mercado Livre ou Amazon? E o Pix? Vamos explicar de maneira simples.
Índice
O que é Split Payment?
Split Payment significa pagamento dividido. O nome parece complicado, mas a ideia é relativamente simples.
Imagine que uma empresa faça uma venda por R$ 1.000,00. Hoje, o pagamento chega à empresa e os impostos são recolhidos depois.
Com o Split Payment, quando o mecanismo estiver sendo aplicado, o pagamento será dividido.
- Uma parte segue para a empresa.
- Outra parte, referente ao IBS e à CBS, é direcionada para o pagamento dos tributos.
Assim, em vez de:
- Cliente paga → empresa recebe → empresa paga o imposto depois
A lógica passa a ser:
- Cliente paga → sistema separa o imposto → empresa recebe o valor remanescente.
A Lei Complementar nº 214/2025 criou esse mecanismo para o IBS e a CBS.
Isso não significa, porém, que basta pegar a alíquota dos impostos e descontá-la de todas as vendas. O sistema também considera regras como créditos tributários e valores que já tenham sido pagos.
Por isso, o valor separado pode variar conforme a situação da empresa.
O Split Payment já vale em 2026?
O ano de 2026 marca o começo da transição para os novos impostos, mas o Split Payment não começa de uma vez para todas as empresas e todos os pagamentos.
Sua implementação depende da preparação dos sistemas necessários para conectar informações fiscais e financeiras. Portanto, a mudança será gradual.
Isso é importante porque bancos, empresas de cartão, sistemas de pagamento, empresas de software, marketplaces e o próprio governo precisam conseguir trocar informações para que o mecanismo funcione corretamente.
- Para as empresas, 2026 é um período importante de preparação.
Não é necessário entrar em pânico com a mudança, mas também não é interessante esperar o sistema estar totalmente implantado para descobrir como ele afetará o caixa.
O que muda para quem vende no cartão?
Imagine uma loja que venda um produto por R$ 500,00 no cartão de crédito. Atualmente, o empresário já sabe que R$ 500,00 vendidos não significam necessariamente R$ 500,00 entrando na conta.
Podem existir taxa da máquina, antecipação de recebíveis e outros descontos. Com o Split Payment, haverá mais um elemento para acompanhar: o IBS e a CBS.
Nas operações em que o mecanismo estiver funcionando, a parte destinada aos impostos será separada dentro do processo de pagamento.
Na prática, o empresário precisará prestar ainda mais atenção à diferença entre: quanto vendeu e quanto efetivamente recebeu na conta.
É por isso que a conciliação financeira ficará ainda mais importante.
O que muda para quem recebe por Pix?
O Pix também poderá fazer parte dessa nova estrutura. Mas existe um detalhe fundamental:
- Receber um Pix não significa automaticamente ter realizado uma venda.
Imagine que a empresa transfira R$ 10 mil de uma conta bancária própria para outra. Existe um Pix, mas não existe uma venda.
Agora imagine que um cliente compre um produto por R$ 300,00 e pague por Pix. Nesse caso, existe uma venda relacionada ao pagamento.
Por isso, o funcionamento do Split Payment depende da identificação correta das operações.
Para o empresário, a mudança reforça a necessidade de abandonar controles do tipo: “Entrou dinheiro na conta, então está tudo certo.”
O ideal será conseguir identificar: o que foi vendido + qual nota foi emitida + como o cliente pagou + quanto entrou na conta.
Essa organização será importante principalmente para empresas que recebem dezenas ou centenas de Pix diariamente.
O que muda para quem vende em marketplace?
Para quem vende por marketplace, o controle já costuma ser um pouco mais complicado.
Imagine uma venda de R$ 200,00.
O cliente vê R$ 200,00 no anúncio e paga R$ 200,00. Mas o lojista pode receber menos. Isso acontece porque a plataforma pode descontar comissão, tarifa, frete, publicidade ou outros valores previstos no contrato.
Com a Reforma Tributária, os impostos também entram nessa equação.
O empresário precisará entender claramente:
Preço da venda: R$ 200,00
(-) Descontos e custos da plataforma
(-) Valores tributários aplicáveis
(=) Valor efetivamente recebido
Além disso, a Reforma Tributária estabeleceu regras específicas para plataformas digitais e situações em que elas podem ter responsabilidades tributárias.
Portanto, quem vende por marketplaces precisará acompanhar atentamente como cada plataforma adaptará seus sistemas.
O erro seria simplesmente olhar o valor depositado pelo marketplace e considerá-lo como se fosse o faturamento da empresa.
Faturamento e valor recebido não são necessariamente a mesma coisa.
Afinal, o que muda para quem vende no cartão, Pix e marketplace?
A principal mudança é simples de entender: parte do dinheiro referente aos impostos poderá ser separada durante o próprio processo de pagamento, em vez de entrar integralmente na conta da empresa para o imposto ser pago posteriormente.
- Para quem vende no cartão, será necessário acompanhar ainda melhor a diferença entre venda bruta, taxas, impostos e valor recebido.
- Para quem vende por Pix, será fundamental identificar corretamente quais recebimentos correspondem às vendas.
- E para quem trabalha com marketplaces, o controle precisará considerar vendas, comissões, taxas, tributos e repasses realizados pelas plataformas.
O maior cuidado será com o fluxo de caixa.
Uma empresa que fatura R$ 200 mil continuará precisando saber que faturou R$ 200 mil, mesmo que uma parte desse dinheiro não chegue efetivamente à sua conta em razão de impostos, taxas e outros descontos.
Por isso, o Split Payment não deve ser visto apenas como um assunto da contabilidade. Ele também é um assunto do financeiro da empresa.
A Orru Contabilidade pode ajudar sua empresa a entender os impactos da Reforma Tributária, avaliar como o Split Payment poderá afetar o fluxo de caixa e preparar os controles necessários para a nova realidade.
Quanto antes a empresa entender quanto vende, quanto paga e quanto realmente fica no caixa, mais preparada estará para as mudanças trazidas pelo IBS e pela CBS.
Para saber mais sobre o que muda com a reforma tributária e iniciar a preparação da sua empresa, entre em contato conosco!




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